Entrevista para o site Hostelsclub.com

Essa semana o site Hostelsclub.com para buscas e reservas de hostel e também hotéis fez uma entrevista bem legal comigo, onde eu contei um pouquinho das minhas viagens e como isso tudo começou. 

Vou replicar a entrevista aqui e quem quiser conhecer o site e começar uma nova viagem esse é o link Hostelsclub.com

mulher viajando egito

 

Entrevista a Maria Garcia: a mochileira do Vagamundo

Vem conhecer essa aventureira que já conquistou Europa, Ásia e América Latina... e não quer ficar por aí!

24/10/2017

Em 2010 a Maria Garcia vivia no Rio de Janeiro, tinha um bom emprego, um namorado que amava e um grupo de amigos super legal. Mas, por mais as que as pessoas à sua volta lhe relembrassem quão boa era a sua vida, ela sabia que estava faltando algo... A aventura da Maria começou em Espanha e não mais terminou! Em entrevista ao Hostelsclub, ela conta quais os truques e o que aprendeu ao longo dos últimos 7 anos enquanto viajava pela Europa, Ásia e América do Sul.

  • 1 - Pela leitura do seu blog percebi que já viveu em 7 países e já viajou por mais de 50 países! Uau! Como é que tudo começou?

Desde sempre, eu tenho alma de cigana e uma família que sempre viajou muito. Meu pai é espanhol e teve que fugir do país durante a ditadura do Franco, por ser contra o franquismo. Depois de rodar bastante pela América Latina ele desceu o rio Amazonas até o Brasil e conheceu minha mãe na Bahia, viajaram juntos e eu nasci no Peru, logo fui para o Brasil, morei na Espanha e na Itália por um tempo. Mas, cresci no Brasil.

Quando terminei a faculdade eu estava com um ótimo trabalho,namorando há anos, senti que estava tudo muito "perfeitinho" mas ao mesmo tempo eu estava inquieta, senti que tinha que viver outras experiências. Larguei tudo e fui morar em Barcelona, comecei a trabalhar em um bar preparando drinques e viajar pela Europa, mais tarde fui até o Marrocos e Tunísia. Esse trabalho não durou muito, eu era uma catástrofe preparando drinques e trabalhando à noite kk. A crise estava forte na europa então voltei para o Brasil, estava sem dinheiro e precisava trabalhar, depois de uns meses consegui um ótimo trabalho como jornalista na República Dominicana, de lá outros três países na Latino América, juntei um bom dinheiro por dois anos e logo me joguei no mundo novamente. Fui para a Ásia, fiquei 6 meses viajando por lá como mochileira e assim foi até agora, trabalhando e viajando.

  • 2 - Para além da sua família que outros fatores contribuíram para desenvolver a sua faceta de viajante? Acha que a sua formação profissional contribui? E de todos esses países onde gostou mais de viver?
  • Como crente da astrologia, talvez meu signo, sou sagitariana! :) Acho que é natural em mim essa curiosidade e vontade de conhecer o mundo. Acho que quanto mais se viaja, principalmente sozinha, mais segura eu me sinto, mais eu me conheço, mais pessoas eu conheço. Viajar abre as portas da percepção, você começa a ver o mundo sem preconceitos, perceber que somos todos iguais, mesmo sendo diferentes. Acho que os livros também contribuíram bastante. Sempre li e escrevi muito, talvez por isso decidi ser jornalista e, ao ler sobre outros países eu ficava com uma vontade imensa de ver com meus próprios olhos aquilo que já tinha visto com minha imaginação. Acho que por isso fui até o Myanmar, Japão, Índia, Egito, Iran entre outros.

 

  • País ou cidade preferida, não existe, não tenho, de tanto buscar esse lugar perfeito, percebi que perfeição não existe. Cada lugar vai ter algo de maravilhoso e defeitos. Amo o Brasil, tem alegria, música e cultura, mas tem uma desigualdade enorme. A Alemanha é incrível, tudo funciona, mas é frio, o clima e muitas vezes as pessoas. Portugal é maravilhoso, na lista dos que mais me encantam, mas é quase tão bagunçado como o Brasil. Bali é uma ilha mágica, muito surf, ioga, paisagens incríveis, mas falta meio de transporte, teatro, cultura geral. Enfim, lugar perfeito não existe e mesmo a imperfeição tem seu encanto. 
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  • 3- Considera que a sua personalidade contribui para gostar tanto de viajar, então e o oposto? Acha que as viagens que você fez também contribuíram para moldar a sua personalidade? O que é que mudou mais em você ao longo dos últimos 7 anos?

Acho que faz parte da minha personalidade. Como eu disse, tenho alma cigana e curiosa mas, as viagens contribuíram muito a construir o que eu sou. Viajando tive  que superar a mim mesma, medo, vergonha, tive que me conhecer bem para saber o que queria. Ao viajar sozinha eu tomo as decisões, eu decido meu rumo e, para isso, eu tenho que saber o quero. A cada viagem você se conhece mais e conhece mais do mundo, aprende um novo idioma, diferentes culturas, aprende a cozinhar, a dançar e a cada viagem você percebe que o mundo é o maior do que imaginava e quer ir além, conhecer mais. É como um vício. 

Acho que eu me tornei cada vez mais segura, é uma sensação muito boa, de empoderamento, quando você percebe "caramba, eu tô aqui desbravando o mundo sozinha".

  • 4 - Gostaria de partilhar alguma dessas experiências que te moldou?

 

  • Viajar sozinha pelo Oriente Médio, quantos preconceitos formamos, principalmente com a ajuda dos grandes meios de comunicação. Sempre tive vontade de conhecer aquela região, berço da humanidade, de grandes impérios, mas sempre tive receio,  de terrorismo, de que eles não iriam me respeitar sendo mulher e aconteceu ao contrário,  viajei pela Turquia, onde aluguei um carro e dirigi sozinhas pelas estradas. Viajei de ônibus pelo Egito, Jordânia e Iran, atravessei de barco o mar vermelho, acampei nas montanhas do Sinai, acampei no deserto de Wadi Rum. Fui muito bem recebida em todos esses países, as pessoas são muito amáveis e me respeitaram muito. Achei o Iran um dos países mais hospitaleiros do mundo, todo mundo me convidava para provar algo, queriam me mostrar a cultura local, as casas, a família. 

Além de aprender muito me senti tão "foda" viajando por esses lugares e percebi como o mundo é mais maravilhoso quando vemos com nossos próprios olhos.

  • 5- Em todas as viagens que fez, ficou em algum hostel? Recomenda? Sabe que muita gente ainda pensa que hostel é sinónimo de lugar sujo e pouco seguro...

 

  • A maioria das minhas viagens me hospedei em hostel. Adoro, além de serem bem mais em conta que hotéis, o hostel  te proporciona um ambiente descontraído, é muito fácil fazer amizade, conhecer gente do mundo todo, além disso os hostels sempre tem dicas boas da cidade e fazem eventos para integrar os hóspedes. Já me hospedei em hostels maravilhosos, muito confortáveis, com café da manhã, limpos, com ambientes para que as pessoas se encontrem. Claro que tem muitos que são horríveis, assim como pode acontecer com hotéis. Acho legal na hora de escolher o hostel ou hotel ler a recomendação de outros hospedes que já passaram por lá, os "reviews" sempre me ajudaram muito. Aliás, Portugal tem os melhores hostels que já me hospedei.

6- Relativamente ao teu blog, gostarias de falar um pouco sobre ele? Como começou? Qual o objetivo?

  • Comecei há pouco tempo, muitas pessoas me pediam dicas e pediam para eu escrever sobre minhas aventuras, esse ano morei em Bali e acabo de me me mudar para Berlim, não sei por quanto tempo, então por não estar trabalhando em uma empresa tradicional tenho mais tempo para escrever e decidi começar o blog, quero compartir as histórias e incentivar que pessoas, principalmente as mulheres, viagem mais e que não tenham medo de viajar sozinhas, porque é uma experiência maravilhosa e que todos deveriam tentar nem que seja uma vez na vida. Vagamundo.live visitem e deixem um comentário! :) 

7 - Muito obrigada Maria! Para terminar, que conselho gostaria de dar a quem queira sair agora do seu país e se aventurar pelo mundo? Mudaria alguma coisa na sua experiência?

 

  • A primeira coisa é, sejam verdadeiro com você mesmo, como você quer ser, então se viajar é seu sonho se jogue, não tenha medo, é uma experiência incrível, vale muito a pena largar um trabalho, viver um tempo com menos objetos, para explorar o mundo. Não é tão difícil nem tão caro como parece, quando viajamos passamos a dar mais valor a experiências do que a coisas, então passamos a gastar bem menos e, nos damos conta que antes a gente acumulava muita coisa que não precisamos. 

Acho que não mudaria nada, a cada viagem fui aprendendo mais, me ajustando, carregando menos coisas, comprando menos e todas valeram para me ensinar algo!