Myanmar, um país de tons sobre tons

Um singular recanto do sudeste asiático, que faz fronteira com Tailândia, China, Laos, India e Bangladesh, um recanto de tons sobre tons, do dourado dos pagodes, dos templos, das oferendas para Buda, os tons de dourado do nascer do sol, dos entardeceres tão limpos e resplandecentes, o tom laranja das estradas de terra, do Thanaka no rosto das pessoas, para proteger do sol e cuidar da pele, que acentuam os belos e gentis sorrisos. O dourado açafrão da roupa dos monges que caminham, em silencio, por todos os lados do país.

Pode até ser que a fé não mova montanhas, mas no Myanmar ela move quase tudo, um país onde cerca de 85% da população é budista, um país de paz, de orações e oferendas, onde basta levantar o olhar para ver um pagode, com sua inconfundível cúpula em forma de sino, e quase sempre dourada. Tem santuários budistas nos campos, coroando colinas, na beira dos rios, das montanhas, nos lagos, aproveitando todas as criações da natureza. 

O Myanmar é também um país de artes, de pinturas, de joalheiros, de pedras preciosas, de jades, safiras e rubis, como das mil e uma noites, de sombrinhas de papel desenhadas a mão, de roupas de seda, do encanto e da perfeição do trabalho artesanal, manual, feito um por um, com dedicação e atenção, fazendo de cada peça uma obra prima.

Esse país comunista já foi colônia britânica, foi dominado pelos japonesesna segunda guerra mundial, passou por uma forte ditadura militar, que começou em 1964, e só recentemente, em 2012, começou a se abrir para o mundo, celebrando eleições e iniciando um caminho a democracia, beneficiando não só a população, como o mundo todo que pode agora conhecer esse fascinante território.

Um pouco do que conhecer no país

Yangon

O pagode mais venerado, por ter, segundo as lendas, cabelo de Buda, é o de Shwedagon, em Yangon. Impressionante com sua gigantesca cúpula dourada – com aproximadamente98 metros de altura, coberto por placas de ouro e pedras preciosas, e, na ponta um diamante gigante. Ao chegar, se nota a relação da população com o local, presenciando meditações, orações, um lugar de silêncio, contemplação e oferendas, e, ao mesmo tempo, um local de encontros, convívio, de pessoas conversando, passeando com amigos e família, rindo e até festejando, sempre com muita suavidade.

Bagan, a cidade dos mais de 2 mil pagodes

Imagina uma paisagem infinita, dourada e com mil cúpulas no horizonte, com entardeceres fascinantes, assim é Bagan, um lugar que nos deixa sem fala e sem fôlego. 

Para chegar, pode pegar um ónibus desde Yangon ou Mandalay, ambas as cidades possuem aeroportos com voos desde Bangkok. Existe também a possibilidade de pegar um trem, mas é menos confortável e mais demorado.

O vilarejo já possui uma ampla oferta de pousadas, hotéis, pensões e, claro, muitos albergues. O ideal para explorar esse grande parque arqueológico é alugar uma bicicleta, por 3 dólares todo o dia, e se perder pelos campos de pagodes.

Imperdível, o nascer e o por do Sol do alto de um templo e o ritual dos monges pela manhã, onde eles saem em filas para receber as doações.

A cidade oferece muitas opções de artesanato local, dos vasos de bambu laqueado pintados à mão, as sombrinhas artesanais de papel, as pinturas em pano. Sempre é legal comprar algo, mesmo que uma lembrança, ajudando o comércio e a população local. Lembrando que o Myanmar é um dos países com menor renda per capita do planeta.

Inle Lake (Lago Inle)

Um lago de águas limpas, rodeado por montanhas, com mais de 200 aldeias e povoados flutuantes em casas de palafita, onde vivem os Intha, filhos do Lago. Todo cultivado, com pescadores que usam uma técnica curiosa, se equilibram em uma perna na ponta dos barcos, e a outra usam para remar. O Lago Inle se tornou um dos principais lugares buscados por viajantes que percorrem o Myanmar. 

Existem várias caminhos para se chegar até o lago, desde Bagan tem vans e ônibus, que rodeiam as montanhas, em uma viagem especial e curiosa, observando os povoados no caminho, as pessoas do interior. Os preços dos ônibus variam desde 15 dólares, partindo de Bagan, até 30/40 dólares saindo de Yangon. 

Mais dicas sobre o Inle Lake

Mandalay - A segunda maior cidade do Myanmar, por onde chegam muitos vôos, onde se pode vislumbrar um pouco da pobreza e do caos do país, mas também os sorrisos, as roupas tradicionais, a curiosidade dos habitantes, e os grandes mercados de jóias, onde ouro e peras preciosas são expostos para fascinar qualquer olhar . 

De Mandalay é fácil ir para todos os outros pontos do Myanmar.

Ponte U Bein - Construída em 1850, sobre o lago Taungthaman, mede 1,2km. Mais do que a maior ponte de madeira do mundo, é um lugar onde os pescadores, os templos, ou simplesmente as pessoas que cruzam fazem desta ponte um pequeno universo que é todo um fascinante espetáculo aos olhos.

 

Pedra Dourada de Buda - Equilibrada precariamente na borda de uma montanha, uma enorme pedra de granito de 7 metros de altura permanece desafiando a gravidade desde os tempos mais remotos. A rocha virou símbolo e local de peregrinação para os adeptos do budismo. Muitos budistas acreditam que aquele que visitar o templo de Kyaiktiyo, e a pedra dourada três vezes, durante o mesmo ano, será abençoado com riqueza e reconhecimento de sua bondade.

 

 

Curiosidades

Thanaka - um pó dourado embranquecido, extraído da raiz de uma árvore e usado pelas mulheres e crianças como forma de proteger do sol e também para se embelazar. Todas mulheres e crianças possuem os círculos no rosto feitos com Thanaka.

Ouro em Papel. Os budistas costumam colar ouro em papel nas imagens de Buda, como forma de oferenda. A imagem de Mahamuni, em Mandalay, cresceu mais de 20 centímetros ao largo dos anos com os papeis que foram incorporados por seus seguidores.

Pescadores do Lago Inle - que de pé em suas canoas, equilibrados de uma forma inacreditável em uma perna, enquanto a outra usam para remar, enquanto jogam as redes de pesca. Um espetáculo único.