Inle Lake, um lugar fascinante no Myanmar que não pode ficar de fora do roteiro

Photo by DAVID HEATH por estar completamente hipnotizada não consegui tirar uma foto boa 

Photo by DAVID HEATH por estar completamente hipnotizada não consegui tirar uma foto boa 

Quando, navegando por um rio estreito, entrei na vasta extensão de água escura e espelhada do lago Inle e me deparei com pescadores que executavam complexos e suaves movimentos parecendo malabaristas equilibrados com uma só perna na proa de pequenas canoas de madeira, enquanto utilizavam a outra perna para remar e nas mãos seguravam gigantes cestas cônicas, fiquei completamente deslumbrada, até esse momento visitar esse local era só um “plus” na minha viagem, o meu principal objetivo no Myanmar era conhecer o vale das 3 mil pagodas e que por anos, após ler um livro que se passava no país, eu tinha sonhado. Mas, enquanto Bagan é o principal cartão turístico do país, os dias que passei no Lago Inle foram os mais especiais e que deixaram a impressão mais marcante. 

O Lago Inle está a uns 900 metros acima do nível do mar, no planalto de Shan, tem mais ou menos 22 quilômetros de largura e 10 de comprimento. A maioria da população que vive sobre suas águas ou em suas margens, em palafitas ou casas flutuantes, são os Intha, também conhecidos como “filhos do lago”. São mais de 20 villas Intha espalhadas por todo o lago Inle, que vivem da pescaria, agricultura ou artesanato, criando um ecossistema de canais de água,  hortas , jardins, mercados e templos flutuantes e, atualmente, alguns hotéis e restaurantes.

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A maneira como desenvolveram a agricultura é outro ponto fascinante, são jardins e campos de cultivo, verdes e abundantes, flutuando sobre as águas sem nenhuma base ou dique. Fazendas de tomate, pepino, repolho, couve flor e melões feitas com bambu, paus de madeira, algas e matos que se agarram formando como uma redes onde se faz o plantio.

A maioria dos Intha são budistas e mais de 100 templos estão espalhados pela região. O budismo praticado é o Theravada, que se acredita ser a mais antiga forma de budismo e a influencia da religião é muito forte na cultura local.  Todo ano, no final de setembro ou começo de outubro, acontece uma celebração em homenagem as cinco imagens de Buda no principal e mais grande templo do lago Inle, a Pagoda Hpaung Daw U. A tradição no Myanmar é colar nas imagens de Buda laminas muito finas de ouro, que parecem papeis, algumas esculturas tem tantas laminas coladas que não se consegue distinguir a forma original.

O artesanato e a tecelagem são também típicos dos habitantes do lago, por ali vi a produção de jóias, tabaco e principalmente tecido, ao entrar nas vilas se pode escutar os “clack clack” dos gigantescos e antigos teares de madeira. Até então, pelo que me contaram, o Myanmar era o único país a produzir tecido com a fibra da flor de lótus, que é de difícil cultivo, mas que encontra nas águas do Lago Inle as condições perfeitas de crescimento.

 

Informações

 

Onde se hospedar

Eu fiquei em Taunggyi, a vila com mais estrutura turística e que fica na margem do Lago. Amei, as pessoas são sorridentes e querem ajudar, tem um mercado maravilhoso, pequenos restaurantes de comida local, alguns mochileiros, templos, fazia um frio gostoso. Ali encontrei vários hotéis e pensões, cheguei sem reserva e fui procurando, mas se pode reservar pelo booking.com. Além disso existem algumas opções de hotéis flutuantes, que são mais “chiques” e também mais caros. A experiência deve ser incrível, chalés de palafita com uma vista alucinante mas, além do preço, fica dependente das embarcações para se locomover. 

 

Como chegar

O lago fica em uma remota zona de um país remoto, a maneira mais barata de chegar é de ônibus, que saem de Yangon ou Bagan. Eu fiz o país todo de ônibus, achei seguros, confortáveis, sempre dão algum lanche, tem cobertores e são bem mais em conta. Eu cheguei no lago a partir de Bagan, foram umas 7/8 horas de viagem com um minibus, foi ótimo porque conheci outras pessoas e passamos por diversas aldeias e cidades, paramos e locais tradicionais para comer. De lá voltei para Yangon, onde tinha um vôo pela Air Asia de volta para a Tailândia. A viagemé longa,  originalmente umas 13 horas, a minha durou bem mais porque o meu ônibus quebrou no meio do caminho, ficamos parados por muitas horas, percebi que o ônibus estava parado ha um tempo e não entendia, como era noite muita gente estava dormindo, eu decidi sair do ônibus para entender o que acontecia, vi que o motorista tinha feito uma fogueira e conversava com algumas pessoas, a noite estava estrelada e bem fria, quando tentei perguntar ele não falava inglês, mas através de gestos e com algumas poucas palavras explicou que tinhamos que esperar outro ônibus, que demorou muito para chegar e o atraso me fez perder o vôo para Bangkok, então tive que comprar outra passagem no aeroporto. Fora o atraso, a estrada é por entre as montanhas, com muitas curvas, então muita gente passou mal, mas tudo é aventura então tudo certo.

De Bagan eu paguei uns 8 dólares, 11.000 kyat e do Inle Lake para Yangon saiu por uns 15 dólares, mas os valores podem estar diferentes, assim como a conversão.

Além do ônibus se pode chegar de avião ou trem pelo povoado de Heho que fica a uns 30 km ao norte do lago Inle e que tem um pequeno aeroporto que era uma antiga base militar. Os vôos são feitos por companhias nacionais como Yangon Airways e Air Bagan, acho que a Asian Wings também tem vôos para Kalaw. Dali se pode pegar um taxi até Taunggyi, que sai por uns 25.000 kyat (mais ou menos uns 30 dólares). Uma boa idéia é procurar outras pessoas para dividir o taxi ou tentar algum carro local com mais pessoas.

Como percorrer o Lago

Para conhecer o lago eu peguei um barco com um dos trabalhadores locais, tem muitos e tem que negociar, tentando um preço justo pra você e para o trabalhador, afinal são pessoas simples que vivem disso, e tomar cuidado para que eles não passem mais tempo nas lojas do que nos lugares que você quer. O preço normalmente é por barco então se estiver com outras pessoas pode dividir. Eu fui sozinha porque queria sair bem cedo e ver o sol nascer e ter independência. 

Atualmente estão cobrando entrada para o lago, assim como em Bagan, é uma forma de ajudar na manutenção do local já que eles não recebem ajuda de organismos de preservação (estão lutando para entrar como patrimônio da Unesco). A entrada custa 5 dólares, acho super ok, uma forma do turismo ajudar. Assim como também acho válido comprar com artesãos, nem que seja algo pequeno, assim o turismo não se transforma em algo que só extrai e modifica a realidade local, mas passa a ser benéfico para a comunidade em termos económicos.

Melhor época

De outubro a fevereiro não tem chuva, mas os melhores meses são outubro e novembro, logo após as monções o lago está com os níveis de água mais altos e as temperaturas são frescas (passei frio na verdade, a noite esfria bastante), além disso no começo de outubro acontece otradicional festival em homenagem as cinco imagens de Buda.