Wadi Rum, como viajar até o deserto da Jordânia que é um dos mais bonitos do mundo

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Wadirum

As informações práticas estão no final do meu relato, se quiser pode ir direto pra lá :)

Eu já estive em alguns desertos, pra mim são lugares fascinantes que misturam aventura e romantismo, ceús incrivelmente estrelados, paisagens que parecem de outras dimensões, camelos, dormir em cavernas ou a céu aberto, as cores do por do sol e do amanhecer. 

Percebi que cada deserto tem seu tom, o Sahara flutua sobre os amarelos, tem um no Paquistão que é tão claro que parece um mar de montanhas de areia branca (vi esse deserto no documentário Humans e é meu sonho conhecer). O Atacama é colorido, o céu absolutamente azul que se mistura com vermelho, amarelo, branco… O deserto de Thar, que fica no estado do Rajastão na India, é uma mistura de dourado com as cores dos saris indianos, rosa, vermelho, amarelo, verde, criando um prisma em meio a secura desértica. 

Na Jordânia, o deserto de Wadi Run é vermelho. Não são dunas de areias que dominam a paisagem, são imensas planícies cortadas por rochedos de todos os tamanhos talhados pela erosão nas formas mais complexas, labirintos de rochas de diversos formatos e tons, paredões que formam gigantescos corredores, cavernas, tudo em tons de vermelho terra. Também conhecido como Vale da Lua, o Wadi Run é um dos lugares mais lindos emisteriosos do planeta, totalmente hipnótico, lar dos hospitaleiros beduínos e de muitas histórias, como as de Lawrence da Arabia. 

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Com um tamanho similar a Portugal,  o deserto é um oasis de paz rodeado por zonas de conflitos, ao seu redor está Siria, Irak, Arabia Saudita e Israel. Em 1998 o Wadi Rum foi declarado área protegida e ficou a cargo das comunidades beduínas locais que o usam como meio de sustento através do turismo. Os beduínos são árabes nômades que moram nos desertos e são reconhecidos por sua hospitalidade, assim como os Tuaregs do Sahara. 

Chegar até o Wadi Run foi uma aventura e tanto, até mais do que eu queria. Entrei na Jordânia desde o Egito, cruzando o mar vermelho em um barco de trabalhadores locais, só eu de mulher e estrangeira, em uma viagem que demorou mais que o previsto e que meu deu dores de barriga de nervoso. Aqui está o link para a história dessa travessia.

Eu cheguei pelo porto de Aqaba, uma cidade com uma ótima infra estrutura que faz fronteira com Arabia Saudita e que é ótima para mergulho e, para minha alegria depois dessa estressante travessia, o querido Majed estava me esperando e de lá fomos para o vilarejo Rum, porta de entrada para o deserto.

Majed Salem al Zalabyeh é um jovem beduíno, muito alegre e entusiasmado, que faz tours pelo Wadi Rum. Ele faz parte da tribo Zalabyeh, habitantes antigos do deserto, e mora no vilarejo que fica na entrada principal da área protegida. Seus avos continuam vivendo como nômades e foi do avô que ele “herdou” uma caverna onde fez seu acampamento turístico, muito bem cuidado. Eu fui recebida no vilarejo por sua mãe com muito carinho e com o típico chá árabe, bem doce, muitos sorrisos e olhares de curiosidade dos irmãos pequenos. O pai eu conheci depois, ele tem duas esposas e naquele dia estava na casa da primeira esposa. Eles moram uma casa de barro muito simples, com tapetes no chão e mais nada de ornamentos, mas com muita receptividade e boa vontade.

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Fomos na venda local para comprar provisões para nossos dias no deserto, água e comida, e começamos nossa aventura. A primeira parada foi para conhecer o avô, que personagem fantástico, um beduíno com um sorriso gigante, que mora em um acampamento com alguns camelos. Não nos entendemos em palavras, mas nos compreendemos em sorrisos.

 

O Wadi Rum impressiona, tira o fôlego, é um lugar inóspito e curiosamente cheio de vida, como que tem vida própria, pulsa, aquelas paisagens de perder de vista, os tons, os rochedos gigantes, os labirintos. A cada momento do dia ele tem um encanto, mas o amanhecer e o entardecer são especialmente mágicos, quando junto com o sol as montanhas vão mudando de cor criando um espetáculo natural.

Eu dormi duas noites no deserto, sobre tapetes na caverna, ali o Majed preparou comidas deliciosas, com iogurtes, pães árabes, mel, chás, nozes. A noite para aquecer sempre tinha uma fogueira acesa, o céu é tão estrelado que as noites ficam claras. Pela manhã os sons do silêncio, o vento, um pássaro distante, uma iguana que se rasteja, ecos.

Durante o dia exploramos uma parte do Wadi Rum com um velho Toyota todo remendado, caminhando em algumas partes, subindo montanhas, descendo dunas de areia correndo, parando horas para contemplar as paisagens, a magia do deserto, e escutar as histórias dos beduínos. Dessas experiências que ficam gravadas pra sempre na alma e que serão contadas muitas vezes.

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De lá peguei uma carona paga, com um taxista que estava de passagem por ali, até Petra e essa é uma outra história dos meus dia pela Jordânia e das minhas viagens pelo Oriente Médio.

 

Informações Práticas

Explorar o deserto com o Majed foi a melhor decisão, ele conhece tudo por ali, é alegre, honesto e uma ótima companhia, além disso, como mulher viajando sozinha me senti super confortável e segura. Como o Wadi Rum é enorme, para conhecer realmente tem que ser com um carro que chegue a todos os lados, ou de camelo, mas quem já andou de camelo sabe que após algumas horas o desejo maior é descer do animal. 

Contato Majed

Telefone: +962 776198976

email: majedtours@gmail.com

Instagram: @wadirum_ 

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Para chegar no Wadi Rum

Se pode chegar desde a capital Ammán, de Petra ou de Aqaba.

Ammán - desde a capital da Jordânia até a entrada do deserto são uns 320km, mais ou menos 4 horas de carro. Existem ônibus ou se pode negociar um taxi e compartir com outras pessoas.

Petra - Eu fui do deserto para Petra e se pode fazer ao contrário, tem ônibus e carros, fácil encontrar em Petra pessoas para dividir os custos e ir até o deserto. 

Aqaba - foi o porto por onde cheguei, é uma cidade turística, ótima para mergulho, com boa infraestutura e fica a 1 hora de carro do vilarejo de Rum. Dali se pode negociar um taxi ou ir de ônibus. 

O Vilarejo de Rum - bem pequeno, onde moram muitos beduínos e é a base para se conhecer o deserto. No vilarejo tem o Centro de Visitantes, onde é possível encontrar muitos guias e diversos passeios, ali um painel informa os detalhes e os preços das excursões - que podem variar de acordo com o tempo, pode ser de algumas horas, um dia ou dormindo no deserto em acampamentos beduínos. Como eu fui com o Majed não cheguei a ir no centro de visitantes. 

Preços: A Jordânia é cara, a moeda na época que eu fui estava trocando pelo mesmo valor da Libra. Nos países árabes tudo depende da negociação mas, no geral, é bem mais caro que Egito e Turquia.  Não fique irritada(o) sobre a negociação, não desrespeite ao tentar um preço muito baixo, lembre-se que são povos milenares e com uma cultura muito forte, negociar é uma delas, não é que querem te enganar, simplesmente faz parte desses povos que eram antigos mercadores.  Um bom preço para negociar é 40/50 dólares por dia, com as refeições, dormindo no deserto e o transporte. Sei que para mochileiros as vezes é um valor alto, mas temos que lembrar que para o povo que vive lá é o ganha pão. 

Dicas

Site com informações e preços: http://wadirum.jo 

Levar dinheiro em espécie - não tem caixa eletrônico.

A temperatura nos desertos muda muito, durante o dia faz calor e a noite faz muito frio, então sempre se lembrar de levar roupa para o frio. Durante o dia o sol é forte, protetor solar, chapéu e óculos de sol são muito importantes. 

Nascer do sol

Nascer do sol

Não perder o nascer do sol

Importante - desertos são área com pouca água, parece estúpido ter que falar, mas muita gente não tem essa consciência e acha que se pode usar água da mesma maneira que em outros lugares, mas não pode. Ou seja, não vai rolar banho, é bom ter um desses lencinhos húmidos (no geral sou contra porque é um lixo gerado a toa) mas no deserto vale para se sentir limpinho. Normalmente nessas viagens a pouca água é para beber e cozinhar, cuidado com o desperdício, água vale muuuito mais que dinheiro para a sobrevivência humana, principalmente para os povos que vivem em áreas desérticas. 

Terceira Dica - Tem um livro que eu li sobre povos do deserto e que é maravilhoso, não é sobre o Wadi Rum e sim sobre os povos do Sahara, deixo aqui para quem quiser entender um pouco mais sobre a vida nesses lugares tão surreais TUAREG

Lawrence de Arabia

“Todos os homens sonham: mas não da mesma forma. Aqueles que sonham de noite, nos recessos empoeirados de suas mentes, acordam na manhã seguinte para descobrir que tudo, afinal, não passava de vaidade: mas aqueles que sonham acordados são homens perigosos, pois sonham com os olhos abertos, tornando-os realidade.”

Thomas Edward Lawrence, também conhecido como Lawrence da Arábia, foi um arqueólogo, agente secreto, diplomata e escritor británico que se tornou famoso pelo seu papel como oficial britânico de durante a Revolta árabe de 1916. Lawrence era o contato do Império Británico junto as tropas de Faisal, com quem tinha uma forte amizade que durou toda a sua vida. Faisal anos mais tarde foi coroado rei da Síria e do Iraque e  Seu Irmão Abdullah foi o primeiro rei da Jordânia. 

A famade Lawrence como herói militar foi largamente promovida pela reportagem da revolta feita pelo viajante e jornalista estadunidense Lowell Thomas e também pelo livro autobiográfico de Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria e anos depois pelo filme.