Livros para quem gosta de viajar, viagens para quem gosta de ler

 
 

En plena época vitoriana, um experto em afinar pianos é convocado pelo exercito colonial britânico para viajar até Birmânia e consertar um piano raro no interior desse distante país de campos com pagodes dourados, paisagens gloriosas, personagens de lenda e uma população impregnada de profunda sensibilidade e mistério, um lugar fascinante que o cativou. Esse país hoje se chama Myanmar, comecou a se abrir para o mundo em 2012 e foi ao ler esse livro, ha uns 20 anos atrás, que pensei, preciso conhecer. E, fui… Muitos anos depois.

 
 

Se ler é como viajar, viajar é como ler, é onde as letras encontram os caminhos, cada viagem é uma infinidade de histórias, de leituras, de diálogos com o mundo, de paisagens, de novos personagens, de “where are you from".  Quando viajamos provamos novos sabores, cores, texturas, novas possibilidades, acasos e probalidade. Por isso ler e viajar são duas ações sumamente relacionadas que nos liberam e no fazem descobrir a realidade de um mundo imaginário. E, se nos caminhos de algumas viagens nos deparamos com os lugares das viagens dos livros, isso se torna uma busca por referencias criadas pela mente “será que é como imaginei”?

O que tem a Praga de Kafka, Londres de Maugman,  Paris de Sartre e Bevouir , Colômbia de Gabriel Garcia Marques, Chile de Isabel Allende, Buenos Aires de Borges, Peru de Vargas Llosa, España de Lorca ou de Cervantes, Italia de Huberto Eco, Russia de Dostoevsky, Africa de Coetzee, China, para mim a China é Pearl S. Buck, Japão de Murakami ou Kawabata????  Vou contar aqui sobre alguns dos livros que me transportaram a lugares.

"O castelo, cujos contornos já principiavam a se desvanecer, permanecia silencioso como sempre, nunca ainda K. tinha visto o menor sinal de vida nele, talvez não fosse possível reconhecer alguma coisa daquela distância e no entanto os olhos exigiam isso e não queriam suportar a quietude”. O Castelo

Praga, foi olhando a torre do castelo, com o céu pesado, cinza, as gárgulas da ponte, que me transportei para o mundo de Kafka, a cidade é toda relacionada com sua vida e obra, é tão linda e impactante que nos deixa sem fôlego, talvez claustrofóbica como diria o autor

"Cumpre observar que em Paris, sobre cerca de mil estátuas (exceptuando-se as rainhas que por razões de ordem puramente arqui- tetural cercam o Luxemburgo), somente dez foram erguidas a mulheres. Três são consagradas a Joana d'Arc” Observação de beuvouir sobre Paris

Quem, ao chegar em Paris, não busca o Les Deux Magots ou o Cafe de Flore,  até o Woody Allen usou como referencia em seu filme Meia Noite em Paris. Aliás, tantos escritores passaram, moraram, se apaixonaram, faliram e escreveram sobre a cidade Luz, que ela se torna uma busca constante de referencias. Hemingway, Proust, Camus, Sartre e Simone de Beauvoir, até Vargas Llosa com Travessuras de menina má e, um dos meus preferidos, Maughman com Servidão Humana.

Aliás, Maughman me fez viver em Paris e Londres, através de Philip, que dizemser seu Alter Ego. Pra mim, Servidão Humana é um relato inigualável sobre o poder do desejo e a sede de liberdade, essa mesma que eu sinto, um romance sobre o ser humano, sobre aquele que pensa sua existência.

Tantos autores me levaram a devanear sobre terra da rainha, a maioria das vezes em tempos passados, percorrer os campos sombrios de O Morro dos Ventos Uivantes, ou a mansão vitoriana de Jane Eyre. Através dos livros da Jane Austen perambulei por campos, abadias, costas e rochedos, adoro as heroínas de Austen, livres e românticas ao mesmo tempo. Dickens me fez imaginar as ruas de Londres e Lawrence… um belo de um lenhador, guardador de casa, barbudo e másculo, muito mais que só um Lumbersexual . Aliás, tenho paixão pela literatura inglesa, acho que é onde tenho meus escritores preferidos.

"Pois haviam vivido juntos o bastante para se darem conta de que o amor era amor em qualquer tempo e em qualquer parte, mas ainda mais denso quando mais perto da morte.” Cem Anos de Solidão

Ao chegar em Cartagena de las Índias, fascinante cidade do Caribe colombiano, já fui em busca da casa de Gabriel Garcia Marques, eu a imaginava como a casa de Fermina Paza. Sim, eu sei, sua obra prima é Cem Anos de Solidão, ahh mas como amei ler O Amor nos tempos de Cólera e, como me apaixonei pela paixão de Juvenal, que espera 53 anos, 7 meses e 11 dias, quando seu rival morre, para ter seu amor em seus braços. E, como ao caminhar pelas ruas quentes, com casas de janelas coloridas e flores penduradas, me imaginei dentro do livro.

Ahhh Italia, amore mio, não, na Italia não busquei nada de Calvino ou Humberto Eco, fui atrás da Pizza de Comer, Rezar e Amar. Sim, fui até Napoli me deliciar com ela. E, ao contrário da escritora, pra mim era comer, rezar e amar, tudo em um mesmo país, são tantos italianos lindos, bons vinhos e boa pasta, além de ter igreja em qualquer esquina. Continuando minha viagem pelo livro, ou melhor, pelo filme, emBali eu tentei achar um Javier Barden, fiz vários testes, mas claro, não existem muitos exemplares perambulando pelo mundo. 

Eu li muitos livros sobre a India, alguns sobre ioga, como a Autobiografia de um Iogue, Comer, Rezar e Amar, A Senhora das Especiarias, Paixão India, A distância entre nos. India é todo um universo a ser explorado e cada livro conta uma parte desse impressionante país, mas tem um que eu li duas vezes e é um dos meus livros preferidos Shantaram, conta a história de um fugitivo australiano que vai morar em Bombai, passa um tempo em uma favela e se mistura com a máfia indiana. Li a primeira vez muito antes de viajar para a India e a segunda depois da minha viagem, é impressionante como o autor entende bem o país, com suas belezuras e feiura, mas como ele descreve bem, um país cheio de amor. 

“A história da minha vida não existe. Jamais tem um centro. Nem caminho, nem trilha.” O Amante Com o amante, de Marguerite Dumas, fui até Saigon e naveguei em uma balsa pelo rio Mekong,  a diferença é que não fiquei com nenhum chinês. 

Alguns outros países que viajei lendo, e os livros que me fizeram viajar

Tibete - As montanhas de Buda

Japão

todos do Murakami

Musashi 

Xogum

O País das Neves 

A casa das belas adormecidas

O livro do Chá

Russia

Até prefiro Dostóievski, mas quem me fez imaginar os imponentes salões de São Petersburgo, e também os campos dourados através do personagem Levin, foi Anna Karenina

China

Pearl S Buck, o que mais gostei The Good Earth e Onde mora a felicidade, que é de uma sutileza e beleza que me emocionou, mas tem  muitos outros. Além de tudo, ela foi uma das poucas mulheres a receber o Nobel de Literatura.

Africa

Desonra, de Coetzee, nos leva para a África.

A Masai branca, me fez viver em uma tribo no Quênia. 

E você, tem dicas de livros que te fizeram "viajar"?